Conviver, o melhor ingrediente para a evolução de um relacionamento

Às vezes dá vontade de parar tudo e começar de novo, às vezes dá vontade de parar tudo e ir embora. Mas na maioria das vezes a vontade passa, a gente segue em frente e, lá adiante, olha para trás e vê que valeu a pena continuar trilhando o caminho da vida a dois. Claro, porque não há relacionamento perfeito. Duas pessoas viverem debaixo do mesmo teto, dormindo e acordando todo dia, é muito diferente de qualquer namoro. É aí que se conhece o outro de verdade, que as relações são consolidadas, que as bases, quando são bem estruturadas, ficam ainda mais fortes – e que se vê que a convivência é um tempero que deve ser ajustado todo dia, deixando o sabor ainda mais especial.

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Claro que ouvir o outro é essencial, mas de nada adianta ouvir se não houver empatia. Há receita para a felicidade? Claro que não. Mas valorizar cada pedacinho de vida que faz a gente sorrir, identificar a sinceridade nos olhos do outro, buscar o prazer no som da risada e entender que os medos existem em ambas as partes muitas vezes é tudo o que se precisa para deixar o céu azul de novo. Porque é fácil se fechar e se deixar magoado, mas nem sempre é fácil perceber quando somos nós que magoamos.

Porque é na hora em que o silêncio impera na casa vazia que nos damos conta de como faz falta o copo sujo em cima da pia, a tampa do vaso aberta, a roupa usada saindo do cesto ou aquele monte de cremes em cima da pia do banheiro que vivem sendo derrubados sem querer.
É no silêncio esquisito que ecoa pelas paredes que o tempo parece congelar quando você dá de cara com aquela travessa ganha pela lista de casamento do iCasei: e de repente você está lá, abrindo o presente e rindo junto, colocando no armário ainda vazio da cozinha. Hoje o armário está cheio, quase não há mais espaço.

Nessa hora você se dá conta de que o tempo mudou tudo: tornou tudo muito melhor. Ninguém é mais o mesmo, graças a Deus. A convivência fez de vocês dois um só, mais unidos e parecidos do que jamais pensaram que poderiam ser. Cada peça no armário é uma lembrança, um dia de almoço gostoso em família, um domingo cozinhando juntinho, aquela saideira quando depois da festa. A casa tem a cara da convivência, que transforma, molda, envolve, aproxima. E é não para isso que serve o casamento? Para ficar pertinho, tão junto e embolado que vire um só? Ninguém nunca disse que seria fácil, ninguém nunca prometeu uma vida sem problema nem desafios. Que bom.

Afinal, que graça teria tudo muito certinho, sem nada para reclamar, nada para fazer as pazes? Porque quem é especial se importa, quer melhorar e acaba piorando, quer dar beijo e acaba falando a coisa errada. Porque o amor é feito de erros e acertos, até que se acerta mais do que se erra – ou se percebe que nada evolui sem alguns tropeços. E que tropeçar a dois é muito melhor, porque sempre vai ter o outro para te amparar.

Texto: Carolina Peres | Foto: Victoria